sábado, 5 de abril de 2025

NOSSO VALOR

 Devocional Diário - Descobertas da fé

5 de abril

NOSSO VALOR

Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem nenhum. Romanos 7:18


Quando estudei Teologia, ouvi várias vezes o nome do Padre Antônio Vieira mencionado em sala de aula. Ele foi um famoso missionário e teólogo português do século 17. Seus sermões e suas cartas eram obras-primas da linguagem bem-redigida. Tínhamos, inclusive, um colega de mesmo  nome, hoje pastor, com o qual brincávamos fazendo trocadilhos do tipo: “Qual será o sermão de hoje, irmão Vieira?”

O Padre Vieira, segundo seus biógrafos, encantou até mesmo os mais renomados teólogos de Roma, embora as temáticas morais de suas homilias causassem polêmica entre seus pares. Ele falava de assuntos impopulares, como a defesa dos indígenas, críticas à inquisição e desigualdades sociais.

Confesso que demorei um pouco para ler seus escritos por conta própria, contudo devo admitir que, apesar de várias discordâncias teológicas, muito do que ele escreveu continua bastante atual e me fez refletir sobre vários aspectos da minha própria caminhada de fé.

Deixe-me partilhar um trecho de um de seus sermões; creio que complementará o que vimos ontem sobre as distorções da graça: “Diante [da] imagem do Cristo crucificado eu sou levado a ensoberbecer-me por ver o preço pelo qual Deus me comprou. Diante da imagem dos meus peca-
dos é que eu me apequeno por ver o preço pelo qual eu me vendi. Por ver que Deus me compra com todo o Seu sangue, eu sou levado a pensar que eu sou muito, que eu valho muito. Mas, quando noto que eu me vendo pelos nadas do mundo, aí eu vejo que eu sou nada. Eu valho nada” (link.cpb.com.br/0483b8).

Esse é o paradoxo da graça. Nosso valor reside apenas naquilo que Deus nos atribui. Em nós mesmos, mergulhados em nossas faltas e nossos pecados, não somos mais que mero pó. Isso é muito forte, porque, se tiramos Deus do cenário, toda a dignidade humana se reduz a um jogo retórico de palavras.

Portanto, se queremos realmente valorizar a nós mesmos e os outros, não devemos fazê-lo apenas por meio de prêmios, títulos e troféus, que, por mais válidos que sejam, são temporários e artificiais. Corramos para Cristo e, à medida que o fizermos, convidemos outros a correr conosco.

Nada além da cruz poderá nos tornar realmente dignos perante o Universo.

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